quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sobre a independência

Um dia desses tive que ficar só. Eu apenas teria que cuidar da casa e fazer minha comida, pois não havia nada pronto. No começo, eu até achei ótimo. Mas depois...

Deu fome e eu tentei fazer um omelete com arroz. Botei na mesa todos os igredientes que ia usar (ovo, mateiga, verdura) e depois coloquei-os direto na frigideira. Comecei a achar que um ovo era pouco, então puz outro por cima. Tudo bem... O arroz foi só esquentar (tinha um pouquinho na geladeira). E, ao final de tudo, eu tinha um OMELETE COM ARROZ:



"WTF?" ou "Mas que droga é essa?" é o que você pode dizer ao olhar para essa foto. Mas não subestime a minha comida! Devia estar muito gostoso, pois os gatos comeram tudo!

Eu me senti um imprestável... Pô! Nem um omelete eu sei fazer! Ainda bem que havia uma maçã. No dia seguinte meus pais sairam de novo. A comida até que melhorou (aprendi a fritar um frango). Pelo menos eu não morri de fome.

Depois daqueles dois dias aprendi que ter independência requer mais do quê simples saberes e em determinadas vocações. Além do lado profissional que esse termo possui, existe também um lado relacionado à sobrevivência (sobrevivência mesmo). Temos que aprender o máximo possível nas tarefas domésticas, no meio financeiro e a como buscar e/ou fazer nossa própria comida. Essa talvez seja uma das mais próximas ligações que o ser humano ainda tem com o meio animal e com seus ancestrais primatas, que viviam da caça e da colheita e tinham, talvez, que dar o melhor de si para não morrer.

Concluindo... A moral da história daqueles maravilhosos dias? Aqui está:
_Crianças e adolescentes que não sabem cozinhar, NÃO queiram ficar sozinhos (as) em casa por meramente tê-la apenas para vocês. Aprendam primeiro a fazer, pelo menos, um omelete com ovo...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

REDAÇÃO

POR ALIVRE LIMA

TEMA: SEXO É PARÂMETRO DE FELICIDADE?

Para ser feliz não é necessário ter o carro do ano, muito dinheiro ou ser um manequim e ter o bumbum da atriz da capa da Playboy para agradar ao maridão. Hoje o sexo vem à tona como “o bom de tudo”, mas, precisamente, não é ele ainda o tempero final que dá o sabor da felicidade à vida.

Talvez seja porque o sexo esteja mais ligado a uma questão biológica da qual o ser humano não pode fugir: a preservação da espécie. Porém o homem, com a sua ingenuidade nata, quis porque quis transformar a sexualidade num objeto de consumo assim como fez com a saúde, a vestimenta, a comida. Agora é difícil pensar numa modelo de biquíni sem imaginar quanto pagam pelas fotos dela ou quanto ela ganha para manter ativa a atividade sexual dos homens. Eu diria o mesmo no caso dos ícones masculinos. Como já disseram certa vez, numa peça teatral, “a mulher é um pau grande e grosso que os homens querem usar para satisfazerem seus desejos”. E que definição seria feita do homem? Talvez o homem seja o galã da novela das oito com quem as mulheres imaginam ter prazer todas as noites.

Enfim, o sexo se tornou um desses produtos de vitrine: será feliz aquele que comprar o mais original. Os consumistas que o digam! Daí pra frente, assim como todo evento é motivo para uma roupa nova, tudo será motivo para sexo. Todos serão “felizes para sempre”.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Lâminas

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O grande poeta Ray Lima já se prepara para lançar seu novo livro: Lâminas. A obra já está pronta, só falta mesmo atirá-lo a mente dos leitores e dizer como "ser em um mundo Lâminas sem ferir nem se deixar ferir".

O livro tem vários textos críticos de vários autores, além da ambientação gráfica do fotógrafo e antropólogo visual Henrique José.


<((Aqui também postei o cartaz dos lançamentos é só clicar com o botão esquerdo em cima da foto. Em breve também postarei a data e o local das apresentações.))>


Para ver o blog oficial do escritor Ray Lima clique aqui

domingo, 10 de maio de 2009

A mulher

Tinha uma mulher que não era mulher, era maquiagem.

Andava de bund’erguida, de bata e bota-alta,
Es v o a ç and o seu vestido de seda e vitrine,
Carregando sua bolsa de embrulho arrochado
Andando em câmera e p a s s o s l e n t o s ,
Vendo espelho nas figuras perfeitas da tela da TV

Era tão bonita aquela mulher borboleta

Era tão bonita aquela mulher-maquiagem

De cinco em cinco tirava dos embrulhos os retoques
Pra não perder o efeito da pintura
Era tão bonito aquele blush e batom macio,
Os olhos de nanquim e nuvens colorindo em cima
Era tão alegre, mas parecia Triste aquela Figura
Não era tristeza Pulcra
Mais parecia ser a nostalgia das nuvens ácidas da metrópole


Era bonita e era feia aquela mulher...


Não. Não gostei

Assim eu estrago, tiro a magia

Fica melhor como estava.

Então deixemos assim:

Tinha uma mulher
que não era mulher,

era maquiagem.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O significado da religião para mim


Muitas pessoas gostam de conceituar a religião como a solução para o que o ser humano não é capaz de explicar: como ocorreu a criação do mundo, como nasceu o primeiro ser humano, como são possíveis aqueles acontecimentos que parecem não ter ocorrido por acaso. Entretanto para mim ela não se resume apenas a essa necessidade. Para mim ela não se resume somente também as crenças que muitos seguem e nem sabem por que, ao que muitos acreditam e não tem tantas ligações com o povo onde alguns fatos de libertação, ressurreição, dentre outras coisas, aconteceram.

A religião, para mim, se reflete juntamente a esses fatores na busca de uma proteção a mais. Quantas vezes os cristãos - cito os cristãos por que no meu país tem mais de 90% desses seguidores e seria muito difícil não conviver com essas pessoas – já pediram que alguma coisa acontecesse ou não a eles? Foram até criadas expressões: “Deus me livre”, “Se Deus quiser”, “Deus me acuda”, “Ave Maria!”, “Que Deus esteja contigo” ou “Deus é fiel”.

Às vezes ficamos tão isolados nesse mundo. E nem percebemos. E se percebemos nem demonstramos.
“As grandes cidades

Estranhas como esgotos

Exibem cara de vivo

Expelem cheiro de morto”

Ray Lima.

Às vezes ficamos tão sozinhos nessas grandes cidades. Nas florestas muitos animais vivem em tipos de colônias, e muitas vezes não são da mesma espécie. Um bom exemplo seria o de uma árvore (outro ensinamento de meu pai Ray Lima) em que não existe apenas a árvore. Dentro dessa árvore existe larvinhas de insetos, cupins e formigas, que se alimentam da árvore moderadamente e se protegem dos predadores; fora dela existem ninhos e pássaros, cobras e outros animais que se camuflam nos galhos e folhagens; abaixo dela está a boa sombra que também serve de abrigo para qualquer animal com sono; nas raízes e no caule os musgos e líquens; no subterrâneo estão os fungos, vermes, minhocas e outros seres que se alimentam das folhas, frutos e galhos em processo de decomposição. Enfim é um verdadeiro mundo, se comparado a uma cidade construída por um monte de pessoinhas ao longo de uns cem ou cinquenta anos. Não digo que há perfeição nas árvores, é claro.

Nós seres humanos muitas vezes não temos muita interação com as outras espécies. Estamos constantemente criando formas de nos afastarmos dessas convivências. Os outros seres que vemos parecem ter certa comunicação entre si. Mas nós até criamos outra linguagem própria de nós mesmos. Aliás, várias: Português, Inglês, Espanhol, Alemão, Latim, Mandarim, Grego, Fenício, Escrita Hieroglífica, etc. E no final ficamos sozinhos. Talvez a religião seja a maneira de buscar uma proteção exterior. Como se ela tivesse nascido quando a humanidade estivesse saindo da adolescência e partindo para conseguir a liberdade. E acaba descobrindo que para ficar livre por inteiro é preciso ficar preso fora de si, ou seja, ficar sozinho. Aí ele começa a buscar essa proteção de outros seres. Não vivos, pois os vivos ficaram muito distantes, mas nos seres imaginários, espirituais, nos deuses e deusas.

Mas, falando da origem, tem outro aspecto que pode ter levado o homem a criar uma religião, que já citei no início do texto. A religião também se origina da e na própria história. Ela começou a se criar quando o ser humano tenta responder perguntas impossíveis de explicar com a lógica da época em que vivia. Por que existe essa planta? Como ela nasceu? Então por que ela germina a partir da semente? E de onde veio essa planta que deu essa semente? E de onde veio a origem da vida? Responda-me estas perguntas se não tens conhecimentos de Física, Química, Matemática e Lógica suficientes para explicar isso há milhares de anos atrás. Um hominídeo primitivo não poderia responder tais perguntas. Então provavelmente inventaria histórias que na imaginação dele seria provável. E isso irá correr como um boato longo, que vai saindo de boca em boca, sempre se alterando e vão se inventando mais histórias e mais histórias, que realmente influenciam muito na vida dessas pessoas. Criam-se os deuses, os espíritos, os seres imaginários que habitam o mar, as montanhas, bosques, florestas da Caatinga do Nordeste do brasileiro.

É dessas histórias que se tiram as coragens interiores. Daquelas que se vê em filmes. De uma pessoa que está cansada de tentar uma coisa e de repente vem uma luz nos olhos e ela não desiste, dizendo que o que a oprime não é mais forte do que ela. E no final ela vence. Pois é. Daquele boato inventado foram acontecendo várias outras coisas influenciadas por ele mesmo. Até se formar um verdadeiro livro de histórias clássicas, que poucos lêem, mas muitos conhecem. Daí não ocorrem tantas outras histórias clássicas, talvez pelo medo. Medo de que? Ah, esquece...

Acho tudo isso muito lindo. As religiões, as crenças, os mitos. O único problema que vejo é que não há explicação, por exemplo, para o “antes” do início. Na religião Cristã foi um deus que criou tudo, mas quem o criou? E quem criou quem criou o cara que criou esse deus? Alguém faça o favor de criar um final ou um início para essas histórias. Pra não ficar tão vazio. Eu tenho essa fome de saber as coisas, sou curioso. E pra falar a verdade não gosto muitos desses dogmas. Alguns parecem até desmoralização corrupta da época da Falsa Inquisição Medieval.